domingo, 18 de agosto de 2019

Mais de três milhões de desempregados procuram trabalho há mais de dois anos no Brasil

Número representa 26,2% dos 12,8 milhões de brasileiros que estavam desocupados no 2º trimestre e traduz o crescente desespero das camadas da classe trabalhadora mais afetadas pela crise econômica do capitalismo, agravada pela orientação neoliberal do governo. Em um ano, houve acréscimo de 196 mil pessoas nessa situação. A estagnação econômica provoca a paralisação da oferta de postos de trabalho pelas empresas.
Dados divulgados nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 3,347 milhões de desempregados procuram emprego há pelo menos 2 anos. Esse universo representa 26,2% (cerca de 1 em cada 4) dos desempregados no país no 2º trimestre.

Segundo o IBGE, esses números são os maiores para um trimestre desde 2012. No 1º trimestre, eram 3,319 milhões de brasileiros nessa situação, que representavam 24,8% do total. Em um ano, houve acréscimo de 196 mil pessoas (alta de 6,2%) que estão à procura de emprego há dois anos ou mais.
Difícil voltar
“Esse total era de 1,435 milhões de pessoas em 2015, um indicador com tendência de crescimento em função da dificuldade da inserção no mercado de trabalho a partir do início da crise econômica, em finais de 2014”, destacou o IBGE.
Segundo a analista da PNAD Contínua, Adriana Beringuy, a proporção de pessoas à procura de trabalho em períodos mais curtos está diminuindo, mas têm crescido nos mais longos. Ou seja, quanto mais tempo desempregado, mais difícil voltar. “Parte delas pode ter conseguido emprego, mas outra aumentou seu tempo de procura para os dois anos”, avaliou.
A taxa de desemprego média no país recuou para 12% no 2º trimestre, ante 12,7% no 1º trimestre, conforme já divulgado anteriormente pelo órgão, mas ainda atinge 12,8 milhões de brasileiros.
Desalento em alta
Do total de desempregados, a maior fatia (45,6% ou 5,823 milhões) procura trabalho há mais de 1 mês e menos de 1 ano, 1,807 milhão (14,2%) há mais de 1 ano e menos de 2 anos e 1,789 milhão (14%) há menos de 1 mês.
O elevado tempo de procura por emprego é um dos fatores que ajudam a explicar a alta do número de desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego). No segundo trimestre, eram 4,9 milhões de brasileiros nessa situação. Os maiores contingentes de desalentados estão na Bahia (766 mil pessoas) e no Maranhão (588 mil).
Jovens, mulheres e negros
Segundo os números do IBGE, a taxa de desocupação no país ficou em 12% no 2º trimestre, mas com diferenças significativas entre homens (10,3%) e mulheres (14,1%). As mulheres também se mantiveram como a maior parte da população fora da força de trabalho (64,6%). O nível da ocupação dos homens, no Brasil, foi estimado em 64,3% e o das mulheres, em 45,9%.
A taxa de desemprego daqueles que se declararam brancos ficou em 9,5%, abaixo da média nacional, enquanto a dos pretos e a dos pardos foi 14,5% e 14%, respectivamente.
Na análise por grau de instrução, a maior taxa de desemprego é entre aqueles com ensino médio incompleto (20,5%). Na sequência, estão os trabalhadores com nível superior incompleto (14,1%), fundamental completo (13,9%) e ensino médio completo (13,6%). Já a menor é entre trabalhadores com superior completo (6,1%) e os sem instrução (8,7%).
“Apesar das taxas [do sem instrução e do superior completo] serem próximas, a realidade por trás delas é bem diferente, principalmente em termos de rendimento e de condições de trabalho”, destacou a pesquisadora.
As taxas de desocupação mais elevadas se referem à população jovem dos grupos etários de 14 a 17 anos (42,2%) e de 18 a 24 anos de idade (25,8%). O maior contingente de desempregados, entretanto, se concentra entre a população de 25 e 39 (34,2%) e jovens de 18 a 24 anos (31,6%).

quarta-feira, 26 de junho de 2019

EDUCAÇÃO NO RN

SEGUNDO O ANUÁRIO BRASILEIRO DA EDUCAÇÃO BÁSICA 2019, METADE DOS JOVENS DO RN NÃO CONCLUIU O ENSINO MÉDIO. ABSURDO...ABSURDO...ABSURDO!

Anuário da educação básica mostra falta de professores bem preparados

Pesquisa destaca ainda a falta de condições de trabalho para os professores nas escolas públicas e os baixos salários.


Um anuário sobre a educação básica no Brasil mostrou a dimensão das deficiências de qualificação de professores do ensino público em algumas disciplinas.Nas aulas no cursinho, ninguém pisca o olho. Muitos dos alunos chegaram da escola pública e estão vendo pela  primeira vez o conteúdo que, para a maioria, já é revisão.A Giovana Negri, de 18 anos, diz que, no ensino médio, praticamente não teve aula de química.“A minha aula de química eu tinha artes, foi praticamente o ano inteiro assim sem aula. Então, foi bem difícil  e, assim, nunca ninguém repôs aula”, contou. A defasagem da Larissa em matemática vem de antes, do ensino fundamental. “Ficava muito tempo sem professor, muito, muito tempo. Cheguei no meu primeiro ensino médio foi difícil, porque muitas coisas tinham no fundamental,
 só que eu não aprendi. Então, nossa, foi difícil para mim, complicado”, explicou Larissa dos Santos, de 17 anos. Quem prepara os alunos do ensino médio para o vestibular  sabe bem a lacuna que ficou no aprendizado. “O que ele deveria ter aprendido em três anos é em oito meses, quatro meses, seis meses que ele acaba aprendendo. Ou matemática, física, química ou biologia. Geralmente professor de ciências ou de matemática que  acaba substituindo os professores de outras disciplinas na escola pública”, explicou a diretor pedagógica Alessandra Venturi. As dificuldades começam lá atrás, nos anos finais do ensino fundamental. Quando os estudantes passam a ter contato com novas disciplinas, que exigem professores com mais conhecimento sobre cada assunto. Em muitas escolas públicas do país, esse profissional não existe. O anuário brasileiro da educação básica, divulgado nesta terça (25), mostra que, em 2018, quatro em cada dez professores não tinham a formação adequada para o que ensinavam no sexto e também no nono ano do fundamental. Segundo o levantamento, quase 38% dos docentes do fundamental não fizeram o curso de licenciatura ou a complementação pedagógica necessária para ensinar uma disciplina específica. No ensino médio, o índice chegou perto dos 30%. Quem reuniu e analisou os dados destaca ainda a falta de condições de trabalho para os professores nas escolas públicas e os baixos salários. Fatores que explicam o abandono da profissão e a falta de atrativos para que os estudantes com as melhores notas se dediquem à missão de ensinar. “E o que acontece é isso: a gente tem apagão em algumas disciplinas. Uma coisa que a gente precisa entender de uma vez por todas é que a qualidade da educação, a qualidade do ensino, nunca será superior à qualidade dos seus professores. Então ou o Brasil leva a sério atratividade para carreira e a formação desses professores ou a gente vai perder essa batalha. E perder essa batalha é perder a possibilidade de ter um futuro melhor”, avaliou Priscila Cruz, presidente executiva do Todos pela Educação.

43% dos municípios brasileiros gastam menos do que mínimo satisfatório em educação

Um investimento público total por aluno de R$ 4.300 por ano, considerando um estudante do ensino fundamental da zona urbana que estuda em tempo parcial. Esse é o patamar mínimo necessário estimado pelo Movimento Todos pela Educação para que uma rede pública de ensino atinja bons resultados em aprendizagem no país, como notas satisfatórias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), por exemplo.
De acordo com levantamento inédito feito pela ONG, em 2015, ano mais recente com dados completos sobre financiamento público, 2.372 municípios brasileiros (43% dos 5.570 existentes) e cinco estados (Amazonas, Pará, Maranhão, Paraíba e Minas Gerais) investiram menos do que isso.
A estimativa do Todos pela Educação considerou apenas o investimento realizado no ensino fundamental (1º ano ao 9º ano). O valor de R$ 4.300 por ano é o investimento considerado mínimo necessário pela estimativa da ONG, mas ficar abaixo disso, a rigor, não representa uma ilegalidade. Segundo os dados, enquanto algumas redes investem entre R$ 15 mil e R$ 18 mil por aluno por ano, mais de 40% das redes brasileiras estão abaixo dessa faixa de R$ 4.300, sendo que 25% estão abaixo de R$ 3.600.
"Por isso, a discussão de um novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb, ainda mais redistributivo é tão central", afirma Nogueira Filho. O Fundeb financia a maior parte da educação básica pública e, por lei, deixa de valer no fim do ano que vem.

Anuário da Educação

A entidade divulgou nesta terça-feira (25) a edição 2019 de seu Anuário Brasileiro da Educação Básica. Feito em parceria com a Editora Moderna, o estudo traz uma série de análises sobre os temas das 20 metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que nesta semana chega oficialmente à metade
de seu período de vigência. O documento, que está em sua oitava edição, ainda destaca os principais desafios a serem enfrentados para o país avançar na qualidade da educação. Um dos destaques da pesquisa é o financiamento público da educação e a desigualdade entre os valores investidos pelas diferentes redes de ensino espalhadas pelo país.

Desigualdade

O estudo aponta, por exemplo, que, em 2015, enquanto um município localizado no Rio Grande do Sul destinava cerca de R$ 19,5 mil por aluno, o valor mais alto contabilizado em todo o país, outro município, no Maranhão, dispôs de apenas R$ 2,9 mil. Ou seja, quase sete vezes mais. Esses dois extremos foram registrados pela cidade gaúcha Pinto Bandeira e pela maranhense Buriti.

De acordo com Nogueira Filho, se o Fundeb não estivesse em vigor, essa proporção de quase 7 para 1 chegaria, em alguns casos, a 100. Ainda de acordo com o Anuário, enquanto os municípios maranhenses dispõem em média de R$ 3,4 mil por aluno/ano, em São Paulo, essa média é de R$ 6,5 mil. No Distrito Federal, unidade da Federação não dividida em municípios, o gasto médio por aluno é de R$ 11,5 mil. Todos esses dados se referem também ao ano de 2015. 

Clube dos ricos

O estudo também aponta as diferenças entre o gasto anual por estudante no Brasil e na média da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), também conhecido como o "clube dos ricos", por reunir as maiores economias do mundo. Em 2015, levando-se em conta as séries de ensino do ensino fundamental ao superior, o investimento por estudante no Brasil foi de US$ 4.451, menos da metade do realizado pela média da OCDE (US$ 10.520). Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ano ao 5º ano), o gasto por aluno no Brasil foi de US$ 3.762, enquanto na OCDE foi de US$ 8.631. Já no ensino superior a diferença foi bem menor: US$ 14.261 no Brasil e US$ 15.656 na média da OCDE.

Estudo afirma que vitamina C é combustível para células cancerígenas

Sabe-se que a ingestão de vitamina C é fundamental na dieta porque, entre outras coisas, protege contra o dano oxidativo causado pelos radicais livres. Mas uma equipe de pesquisadores chilenos acaba de demonstrar que serve também como combustível para as células tumorais de diferentes tipos de câncer.
Docentes da Universidade de Concepción (sul), liderados pela doutora Coralia Rivas, acabam de publicar os resultados de cerca de 20 anos de pesquisa na revista Free Radical Biology and Medicine.

A conclusão é que os cerca de 20 cânceres estudados satisfazem suas necessidades de grandes quantidades de nutrientes através da reciclagem da vitamina C.
"Se olharmos a partir de um contexto das células, as cancerígenas não sabem que é ruim, sabem que a necessitam para sobreviver", diz Rivas à AFP por telefone.
Até agora, havia-se estabelecido duas formas de vitamina C no organismo: a oxidada (ácido desidroascórbico ou DHA), que se encontra em altas concentrações em ambientes pró-oxidantes ao redor de tumores e a reduzida (AA, ácido ascórbico), que possui a benéfica função antioxidante.
O mecanismo descoberto consiste em que as células tumorais adquirem este DHA, que se encontra em grandes quantidades ao seu redor, o transportam para seu interior e o convertem em vitamina C reduzida, a molécula que lhes permite continuar vivendo, diz a pesquisadora.
As células tumorais de mama, próstata e leucemia "eram capazes de acumular intracelularmente muito mais vitamina C que as células normais", revela Rivas, que em 1993 publicou um trabalho sobre este tema na revista Nature.
Para a pesquisadora, esta descoberta é de "suma importância porque significa que a vitamina C está fortalecendo as células tumorais e as deixa mais resistentes aos tratamentos".
"A célula tumoral consome altas quantidades de antioxidante e neste caso é a vitamina C que é usada para inibir este ambiente oxidativo", diz a pesquisadora.
Estudos já apontavam que a vitamina C inibe de certo modo os tratamentos de quimioterapia e radioterapia, diz a pesquisadora, que indica que o passo seguinte é "poder inibir a captação deste transportador de vitamina C que está localizado na mitocôndria", organelo onde é gerada a energia que as células necessitam para sobreviver, se duplicar e realizar todas as funções.
Segundo esta investigação, a chave da sobrevivência de diferentes tipos de câncer não só estaria na capacidade aumentada dos tumores de adquirir a forma oxidada da vitamina C, mas em outro elemento-chave: a presença de um transportador de vitamina C mitocondrial denominado SVCT2 que seria o "veículo" que permitiria à mitocôndria do tumor trasladar a vitamina ao seu interior e dessa forma evitar sua própria morte.
A pesquisadora alerta, porém, que não se deve "parar de tomar vitamina C sob nenhuma circunstância", já que previne doenças e é essencial para o corpo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Brasil é um país pouco pacífico, diz pesquisa

Prisões muitas vezes arbitrárias, confrontos em decorrência do tráfico de drogas e assassinatos contribuem para uma realidade preocupante aos brasileiros. De acordo com o relatório do índice Global da Paz, o país despencou 10 posições no ranking dos mais pacíficos e passa a ocupar a 116ª posição.

A evasão escolar agrava a situação de violência. O Censo Escolar divulgado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) referente ao ano de 2018 mostra que cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes de 4 a 17 anos estão fora da escola. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o número é absurdo. São 915.455 sem estudar.
Até agora, nenhuma medida do governo foi apresentada para evitar a evasão escolar. Pelo contrário. Cortou verbas da educação e prejudicou professores e alunos em todas as instâncias. O momento é de resistência.
Com informações bancariosbahia.org.b

GREVE GERAL NO DIA 14 DE JUNHO


Com previsão de paralisação do setor de transportes em todas as regiões do país, a greve geral de sexta-feira, 14 de junho, promete ser uma das maiores, senão a maior, da história da classe trabalhadora brasileira. Transportes urbanos e rodoviários, metroviários e ferroviários, além de parte dos caminhoneiros, decidiram aderir. É um ramo fundamental para o sucesso da greve, um forte sinal de que o Brasil vai parar sexta-feira.
Mas não serão só os trabalhadores e trabalhadoras em transportes. Metalúrgicos, bancários, professores, químicos, padeiros, portuários, petroleiros, urbanitários, vigilantes, pedreiros, jornalistas, servidores públicos e dezenas de outras categorias deliberaram favoravelmente à convocação feita pelas centrais e os movimentos sociais.
Os estudantes estarão ao lado da classe trabalhadora neste dia de luta, que será também temperado com atos e manifestações de massa em várias cidades, apesar da greve dos transportes prejudicar a circulação ("até a pé nós iremos", afirmou um sindicalista, parodiando Lupiscínio).
Uma ampla campanha de esclarecimento e conscientização das bases vem sendo realizado pelos sindicatos, culminando com a realização de assembleias gerais para deliberar sobre a greve. A mobilização foi reforçada pela greve geral da Educação contra os cortes de verbas no dia 15 de maio, bem como pelas manifestações contra o corte de verbas da Educação (30), convocadas pela UNE.
A greve geral de 24 horas está sendo organizada de forma unitária pela conjunto das centrais sindicais brasileiras: CTB, CUT, Força Sindical, Nova Central,, Intersindical, CSP-Conlutas, CGTB, CSB e UGT.
Será o primeiro pronunciamento unitário da classe trabalhadora sobre o projeto da dupla Bolsonaro/Guedes, que subtrai direitos dos mais pobres com o propósito de privatizar a Previdência, transferindo ao sistema financeiro a renda que esses economizarem para garantir a aposentadoria no futuro. É esta a regra no regime de capitalização, que não deu certo em nenhum lugar do mundo e no Chile reduziu o valor da aposentadoria à metade do salário mínimo.
A greve vai deixar muito claro o que a grande vítima da reforma de Bolsonaro, ou seja, a nossa classe trabalhadora, pensa sobre o tema.
Umberto Martins

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

EDUCAÇÃO - MEIO AMBIENTE

Brasileira ganha prêmio internacional ao criar sistema de dessalinização de água com grafeno

Tido como uma matéria-prima revolucionária, o grafeno é um derivado do carbono, extremamente fino, flexível, transparente e resistente (200 vezes mais forte do que o aço). Considerado excelente condutor de eletricidade, é usado para a produção de células fotoelétricas, peças para aeronaves, celulares e tem ainda outras tantas aplicações na indústria. Por ser considerado um dos materiais do futuro, ele foi escolhido como tema do Global Graphene Challenge Competition 2016, uma competição internacional promovida pela empresa sueca Sandvik, que busca soluções sustentáveis e inovadoras ao redor do mundo. E a brasileira Nadia Ayad, recém-formada em engenharia de materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), do Rio de Janeiro, foi a grande vencedora do desafio. Seu projeto concorreu com outros nove trabalhos finalistas. Nadia criou um sistema de dessalinização e filtragem de água, usando o grafeno. Com o dispositivo, seria possível garantir o acesso à água potável para milhões de pessoas, além de reduzir os gastos com energia e a pressão sobre as fontes hídricas. “Com a crescente urbanização e globalização no mundo e a ameaça das mudanças climáticas, a previsão é de que num futuro não muito distante, quase metade da população do planeta viva em áreas com pouquíssimo acesso à água”, afirma Nadia. “Há uma necessidade real de métodos eficientes de tratamento de água e dessalinização. Pensei que a natureza única do grafeno e suas propriedades, incluindo seu potencial como uma membrana de dessalinização e suas propriedades de peneiração superiores, poderiam ser parte da solução”. Como prêmio, a estudante carioca fará uma viagem até a sede da Sandvik, na Suécia, onde encontrará pesquisadores e conhecerá de perto algumas das inovações e tecnologias de ponta sendo empregadas pela empresa. Ela visitará ainda o Graphene Centre da Chalmers University. Esta não será a primeira experiência internacional de Nadia. A engenheira brasileira já tinha participado do programa do governo federal Ciências Sem Fronteiras, quando estudou durante um ano na Universidade de Manchester, na Inglaterra. Agora ela pretende fazer um PhD nos Estados Unidos ou Reino Unido, pois acredita que, infelizmente, terá mais oportunidades para realizar pesquisas no exterior do que no Brasil.

Foto: divulgação Global Graphene Challenge Competition

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Lei torna Carnaval de Macau patrimônio imaterial e cultural do RN

O Carnaval de Macau, um dos mais tradicionais do Rio Grande do Norte, agora é patrimônio imaterial, histórico e cultural do estado. O governador Robinson Faria sancionou, nesta quinta-feira (20), o projeto que altera o status da festa.
Aprovado na Assembleia Legislativa, o projeto visa garantir o fomento à festa como forma de incentivar o turismo, contribuir com o desenvolvimento econômico e garantir o respeito às tradições. O deputado George Soares (PR), que foi o propositor do projeto, justificou que a história do Carnaval da cidade, que cresceu desde os anos de 1930 e é palco do tradicional mela-mela, precisa ser preservada.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

MP pede que deputada que criou canal de denúncias contra professores pague indenização

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O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) apresentou, nesta terça-feira, 30, uma ação judicial, em caráter liminar, para que a deputada estadual eleita por Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo (PSL), seja condenada a pagar cerca de R$ 70 mil de indenização por danos morais coletivos que seriam destinados ao Fundo para Infância e Adolescência (FIA). No pedido, o promotor Davi do Espírito Santo, titular da 25ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, considera que Campagnolo criou um "serviço ilegal de controle político-ideológico da atividade docente".

De acordo com o MP-SC, a Ação Civil Pública busca "garantir o direito dos estudantes de escolas públicas e particulares do Estado e dos municípios à educação segundo os princípios constitucionais da liberdade de aprender e de ensinar e do pluralismo de ideias". 
O promotor também pede que o Juizado da Vara da Infância e Juventude da capital catarinense obrigue, de modo urgente, que a deputada eleita se abstenha de manter "qualquer modalidade de serviço formal ou informal de controle ideológico das atividades dos professores e alunos das escolas públicas e privadas", exclua a publicação divulgada em redes sociais para promover a ação e também tenha o número de telefone celular bloqueado, no prazo de até 24 horas, para ficar impedida de originar telefonemas ou enviar mensagens. O promotor sugere a fixação de multa em caso de descumprimento das medidas.
Ele requereu ainda que Campagnolo seja condenada a pagar indenização por danos morais coletivos ao Estado, cujo valor teria como base o número de seus seguidores no Facebook (71.515 pessoas no momento em que a ação foi protocolada), em virtude do potencial de compartilhamento da publicação. 
Logo após a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), no último domingo (28), Campagnolo divulgou uma imagem em uma página de rede social pessoal para pedir que vídeos e informações com manifestações "político-partidárias ou ideológicas" de professores fossem repassados por estudantes para o seu número de celular com o nome do docente, da escola e da cidade. "Garantimos o anonimato dos denunciantes", diz trecho do texto. Para burlar a lei estadual que proíbe telefones celulares em sala, a deputada orienta que os alunos usem "gravadores ou câmaras para registrar os fatos". Para o promotor responsável pelo caso, o canal buscou "impor um regime de medo nas salas de aula", o que não é permitido pela Constituição. Ele defende ainda que "o direito à crítica pode e deve ser exercido na escola, sem cerceamentos de opiniões políticas ou filosóficas".
O Promotor de Justiça explica, ainda, que o uso de canais informais e privados para o recebimento de denúncias não tem qualquer suporte na legislação brasileira. "Serviços de recebimento de denúncia somente podem ser realizados no âmbito do Poder Público, nunca por particulares. A Lei n. 13.608/2018, por exemplo, dispõe sobre o recebimento de denúncias, com sigilo assegurado ao usuário. Este é um serviço exclusivamente público. É ilegal o uso de qualquer outro canal de comunicação de denúncias que não esteja amparado em uma ato administrativo válido", argumenta. Ele destaca que cabe às secretarias de educação, como órgãos centrais dos sistemas de educação, receber denúncias dos interessados e apurá-las.
Historiadora, Campagnolo processou a professora Marlene de Fáveri, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e sua ex-orientadora no mestrado, em 2016, por suposta "perseguição ideológica". O caso, que marcou as discussões acerca do movimento Escola Sem Partido, foi julgado improcedente em setembro deste ano pelo 1º Juizado Especial Cível de Chapecó (SC), mas a atual deputada recorreu. Favéri, por sua vez, apresentou queixa-crime contra a sua ex-aluna por calúnia e difamação. A aprovação do projeto Escola Sem Partido no Congresso é uma das principais bandeiras de Jair Bolsonaro. O movimento, por sua vez, já foi contestado anteriormente pela Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério Público Federal (MPF) e associações de professores.
Julia Lindner, O Estado de S.Paulo
31 Outubro 2018 | 02h27
Disponível em <https://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,mp-pede-indenizacao-a-deputada-que-criou-canal-de-denuncias-contra-professores,70002575822>

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Depois de ameaça, MPF em Chapecó rebate assédio a professores

 O MINISTÉRIO Público Federal (MPF) em Chapecó, Santa Catarina, passou a recomendar às instituições de ensino superior da região. A Recomendação 22 responde à ofensiva da deputada estadual eleita Ana Caroline, do PSL Depois de ameaça, MPF rebate assédio a professores “que se abstenham de qualquer atuação ou sanção arbitrária em relação a professores com fundamento que represente violação aos princípios constitucionais e demais normas que regem a educação nacional, em especial quanto à liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber e ao pluralismo de ideias e de concepções ideológicas”. Assinada pelo procurador da República, Carlos Humberto Prola Junior, a Recomendação 22, com data de segunda (29), é uma resposta a representações recebidas depois que a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL, partido de Jair Bolsonaro) divulgou mensagem para que estudantes filmem e denunciem professores que ela chama de “doutrinadores”. Para o MPF, “além de configurar flagrante censura prévia e provável assédio moral em relação a todos os professores do estado de Santa Catarina – das instituições públicas e privadas de ensino, não apenas da educação básica e do ensino médio, mas também do ensino superior –”, a conduta da futura deputada “afronta claramente a liberdade e a pluralidade de ensino”.
                                                                                                   fonte: JORNAL_CTB_Diário_312_NET%20(1).pdf

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Setembro Amarelo: por que é importante debater um tema tão penoso como o suicídio?

Suicídio permanece como um tabu na maioria das sociedades no mundo, mas vem crescendo assustadoramente entre a juventude. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa tira a própria vida a cada 40 segundos, com cerca de 800 mil suicidas anuais no planeta.

Por isso, a OMS transformou o 10 de setembro no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 2003, para chamar a atenção ao tema. Em 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Centro de Valorização da Vida e o Conselho Federal de Medicina, trouxeram ao país a campanha Setembro Amarelo.
“O principal objetivo do Setembro Amarelo é a conscientização sobre a prevenção do suicídio, buscando alertar a população a respeito da realidade da prática no Brasil e em todo o mundo”, diz texto sobre a campanha.
Os estudiosos defendem o diálogo como forma de enfrentar o suicídio. Mas "não podemos falar de forma errada. Não podemos glamourizar, nem ensinar técnicas", diz o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina.
Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, “a vida corrida que levamos hoje em dia, sem tempo para parar um pouquinho e refletir sobre os acontecimentos pode causar sofrimento além do que as pessoas imaginam poderem suportar"  e dessa forma "não enxergarem solução para as coisas, tomando atitude drástica”.
Como afirma a psicóloga, Karina Fukumitsu o suicídio “costuma ser cometido por alguém que está definhando existencialmente, que deixou de acreditar em sua própria capacidade de transformas a sua dor em amor”.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o suicídio aumentou 73% no Brasil entre 2000 e 2016, passando de 6.780 para 11.736. E como diagnostica a OMS, essa já é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos.
A depressão, transtornos mentais, envolvimento com drogas, violência doméstica, abuso sexual, bullying e intolerância são as principais causas do suicídio, segundo os psiquiatras. ”Atualmente tudo é visto como individual pelos setores hegemônicos da sociedade, então a pressão sobre as pessoas é enorme, essencialmente aos mais jovens’, acentua Vânia.
Para o psiquiatra Elton Kanomata a passagem da infância ao mundo adulto está cada vez mais comprimida e dificultada por uma sociedade voltada para o eu e isso pode causar muito sofrimento aos adolescentes, porque ness“Toda a parte mental deles está em desenvolvimento. A questão da resiliência e da capacidade de lidar com as frustrações podem não estar prontas”. Já o seu colega de psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva alega que a sociedade está “expondo esses cérebros em formação a vários tipos de estressores” e isso “leva à predisposição do aparecimento de doenças mentais, como a depressão”.
Já o psicanalista Mário Corso defende que não se deve romantizar o ato de suicidar-se e não tratar o suicida como herói. “Viver é que é difícil. Heroísmo é sobreviver, é ficar no mundo e ajudar os outros”, diz.
Por isso, “o Setembro Amarelo ganha mais espaços nas entidades envolvidas com o desenvolvimento da vida e do mundo do trabalho”, reforça Vânia. Porque, “o enfrentamento ao tema deve envolver toda a sociedade, principalmente o movimento sindical que está mais próximo das pessoas que mais necessitam de atenção e enfrentam as maiores dificuldades na vida”.a fase da vida tudo é muito intenso.
http://portalctb.org.br/site/noticias/brasil/setembro-amarelo-por-que-e-importante-debater-um-tema-tao-penoso-como-o-suicidio

domingo, 12 de agosto de 2018

Quase 30% dos professores precisam de renda extra para pagar as contas

No Brasil, a profissão mais numerosa do país, que ocupa 2,2 milhões de pessoas, tem a maioria de seus profissionais insatisfeitos. Apenas três em cada dez estão felizes com todos os quesitos de seu ofício. De acordo com a pesquisa Profissão Docente — levantamento feito na Educação Básica pelo Todos pela Educação, em parceria com Itaú Social e Ibope Inteligência, entre os março e maio deste ano — 29% dos professores exercem uma segunda atividade para complementar a renda.
Esse é o caso da professora de Educação Física da rede estadual de ensino, Márcia Rodrigues, de 50 anos. Além de trabalhar em duas escolas de Cabo Frio (RJ), para conseguir manter as contas em dia, ela atua como personal trainer em academias e ainda aplica provas de concursos públicos.
Assim como os 78% entrevistados na pesquisa, que responderam que escolheram a profissão por afinidade, a professora de Biologia Andrea Piratininga, de 47 anos, percebeu ainda na faculdade que gostava de dar aulas. Entretanto, dos 20 anos como docente, 18 também foram de dedicação ao artesanato para complementar a renda.
— Faço desde bijuterias a bolsas e até reforma de móveis. Isso garante 30% da minha receita — contou.
Já a professora de Português Clarice Goldemberg, de 63 anos, há 22 concilia a rotina de lecionar com correções de texto para outros profissionais (com advogados), a fim de ter verba para seu lazer. A docente faz parte dos 48% que se sentem desvalorizados. Para ela, a falta de infraestrutura é um grande problema hoje em dia:
— Fora o salário, a sala de aula não é preparada para o professor: o ar-condicionado pinga, espumas fazem a vez de apagadores.
A pesquisa ainda revelou que 62% dos docentes querem aumento salarial, 64% esperam a restauração da autoridade e do respeito frente à comunidade escolar, e 69% desejam formação continuada para exercer o ofício de forma eficaz. Tamanha insatisfação se reflete em outro dado que influencia as próximas gerações: 49% não recomendam a profissão para os mais jovens.
A remuneração média no país, segundo os professores pesquisados, é de R$ 4.451,56, atualmente. Mas um em cada três professores têm contrato com carga horária de menos de 20 horas semanais, o que pode ter impacto na renda e também no cumprimento do 1/3 da carga horária prevista na Lei do Piso do Magistério para as atividades extra-classe. 
fonte:https://extra.globo.com/emprego/quase-30-dos-professores-precisam-de-renda-extra-para-pagar-as-contas-22953594.html